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Atitudes das lideranças para o Terceiro Milênio

     Terminei meu curso superior de Engenharia Eletrônica em 1991. Na universidade, aprendi bastante sobre as leis da física e da matemática. Lembro que, quando aluno, odiava as aulas de administração e sociologia. Aliás, o último tópico também não era do agrado dos meus colegas de escola, desde o segundo grau.  Com o tempo, se desejamos crescer na hierarquia corporativa ou social, somos surpreendidos pela exigência de algumas coisas que não queríamos ou não gostávamos de aprender.

Não muito tempo atrás, a economia agrícola e pré-industrial era movida quase que na base da forca física e coerção. Para se produzir mais cana-de-açúcar era necessário ter mais escravos e mais chicote nas mãos do capataz. Daqueles tempos até hoje, a força de trabalho saiu dos braços e veio para os cérebros. Para se produzir mais, substituiu-se o chicote pela batuta. Não irei usar o lugar comum de falar de liderança usando o exemplo de uma orquestra. Até nisso, já estamos um passo a frente e os líderes do terceiro milênio já demonstram uma nova capacidade: visão do futuro.

A força de trabalho de hoje não está mais nos braços e, talvez, menos na capacidade de produção do nosso cérebro do que na sua capacidade de sonhar. Nós não nos contentamos mais em apenas satisfazer nossos desejos intelectuais. Uma empresa repleta de programadores extremamente capazes, liderada por um maestro, pode ser pouco produtiva. Liderar nesse terceiro milênio tem muito a ver com o “fazer sonhar”. Líderes nessa nova época podem transmitir suas mensagens a milhares de quilômetros de distância. Podem liderar com suas visões de futuro, com seus ousados lances de quase-loucura, com sua capacidade de abstrair e em seguida, realizar. Bill Gates e Jack Welch são exemplos de empresários que atingiram esse nível de liderança. Chegar a esse nível requer certas mudanças de comportamento. Exige a abdicação de conceitos enraizados durante anos. Da mesma forma que foi difícil para o capataz se imaginar sem seu chicote, hoje é difícil para os maestros se imaginarem sem a batuta na mão.

  

Projeto AltasOndas                                                                              Washington D.C., 2005