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Tecnologia, ou Tecnofobia.

Paulo Jr. é muito inteligente. Aliás, essa opinião é de toda a família. Jr., como é mais conhecido, liga o computador, coloca um CD, troca o CD, usa e abusa dessa máquina toda poderosa, que repousa em uma mesa no canto do quarto da casa. As pessoas ao redor se deliciam ao ver Jr. tão desenvolto com o computador e, se perguntam como é que ele consegue tal proeza.

Afinal de contas, Paulo Jr. só tem 5 anos de idade. Quando os pais compram um jogo novo, Jr. não perde tempo. Rasga a caixa, joga fora o manual de 100 páginas, insere o CD e em pouco tempo, lá está ele jogando como se conhecesse o novo programa há meses.

O que diferencia Jr. dos adultos? Por que, para muita gente, tecnologia gera tanto medo que se transforma em tecnofobia? A maioria dos adultos tem pouca familiaridade com as ferramentas modernas da informática e não é só com o computador e seus aplicativos básicos, como editor de textos ou uma planilha eletrônica. Até mesmo um caixa eletrônico provoca ira dos que estão na fila esperando alguém verificar o extrato bancário, há meia hora.

A resposta para tudo isso está com Jr. Prestemos mais atenção ao que ele pode nos ensinar. Na verdade, não pergunte porque senão Jr. vai dizer “mas é tão fácil, você não aprendeu ainda?”. Não faz bem pro nosso ego esperar essa resposta, portanto só nos resta observar. Vejamos o que Jr. faz de tão especial.

1 – Ele não tem medo do computador. Descobriu que, não importa o que faça no teclado, o aparelho não irá explodir ou dar um choque mortal.

2 – Ele não aprende de forma seqüencial e sistemática. Ou seja, ele não abriu o manual de 100 páginas, leu do começo ao fim, ficou sem entender 90% do texto técnico e por isso contratou um professor pra decifrar tudo aquilo.

3 – Ele não se incomoda em errar e tentar.

4 – Ele tem facilidade em perceber que, se por esse caminho a coisa não funciona, abandone a linha e mude o foco, sem medo de ser feliz.

5 - Ele não tem toda a sociedade observando criticamente e implicitamente, dizendo: “Não acredito que você, dessa idade, não sabe mexer no computador!”

Para perdermos o medo da tecnologia, precisamos eliminar as variáveis que nos amarram psicologicamente. Faça com Paulo Jr., ligue seu computador, brinque com o mouse, aperte as teclas e veja o que acontece. Coloque os manuais de lado. Tente, observe, erre e acerte. O micro não irá explodir. Na pior das hipóteses, você vai ter que reinstalar seu sistema operacional, mas acho que o aprendizado terá valido a pena.

  

Projeto AltasOndas                                                                              Washington D.C., 2005