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Provedores podem ser entrave


Fonte: JC - Online
Data: 22/08/2001

Os principais entraves à democratização do acesso à Internet no Brasil são referentes à infra-estrura de cabeamento telefônico e ao provimento de acesso. Quem garante é o presidente do Comitê pela Democratização da Internet, Rodrigo Baggio. Segundo ele, muitas das favelas em que as escolas da entidade estão instaladas nem sequer contam com linhas telefônicas. E as que contam enfrentam um outro problema: Internet gratuita, com todas as suas típicas falhas de conexão. “Pagar mensalidades de R$ 20 ou R$ 30 é algo fora de cogitação para esse público”, afirma.

O pior é que, se depender dos provedores pernambucanos, nada vai mudar. “Não pretendemos investir na democratização da Web”, afirma o diretor comercial de Marketing do Hotlink, Edson Perdigão. Por quê? “A curto prazo, esse público vai utilizar a infra-estrutura de locais públicos para acessar a Web e, a longo prazo, a tendência é que haja outras modalidades de acesso através de equipamentos mais simples que um PC”, explica. Para o diretor-geral da Truenet, Herman Braga, a Web brasileira ainda tem muito a crescer, sim, e as principais responsáveis por isso nesse primeiro momento serão as empresas. “A Internet hoje é ferramenta de trabalho essencial para qualquer tipo de negócio, por isso as empresas têm que garantir acesso para os funcionários”, afirma. E é justamente no mercado corporativo que a Truenet pretende manter seu foco de atuação.

Já o presidente da Inter.Net, Clovis Lacerda, nem considera viável a possibilidade de a Internet brasileira crescer tanto nos próximos anos. “Esse prognóstico é otimista demais. Para as classes C e D, há necessidades mais básicas. Não há fato novo significativo o bastante para justificar esse aumento”, afirma. Segundo ele, a empresa continuará apostando numa margem de crescimento da Rede de 10% ao mês, “que já é um índice muito alto”.

Só quem fala em mudança, e mesmo assim muito timidamente, são os grandes provedores, como o Terra. Segundo o diretor de Marketing do portal, Marcos Caetano, baixar os preços das mensalidades ou investir em Internet gratuita são estratégias que não estão nos planos da empresa. “Mas podemos criar pacotes especiais, com menos horas de conexão para o usuário doméstico.” Já para locais de acesso público, como escolas ou bibliotecas, ele garante que todos os acordos são possíveis. “Temos, sim, interesse em contribuir para a inclusão digital”, afirma, com a convicção de quem vislumbra a formação de um importante e amplo mercado consumidor em breve.

Para os provedores do Interior, no entanto, a Segunda Onda está longe de fazer sentido. As empresas ainda lutam para formar público inicial. “Não temos nem as classes A e B na Rede. As C e D, então, nem se fala”, afirma Mirely Tabosa, diretora administrativa do provedor Netstage, que atua em Caruaru e cidades vizinhas. Um dos sócios da Arconet, Geraldo Leite, até acredita num grande crescimento do público da Internet, mas não a passos tão largos. “No Interior, ainda há cidades sem provedor e sem infra-estrutura para conexão”, afirma o executivo, que atua no ramo há oito anos e atende cerca de 30 municípios. Pelo visto, Segunda Onda no interior, só se o Sertão virar mar.

Já nas capitais, ela não só chegará, como trará consigo um novo padrão de conexão. “Tem muita infra-estrutura sendo aportada agora pelas operadoras e a concorrência resultante da privatização fará com que os preços caiam rapidamente”, prevê Herman Braga. “Em dois anos, o padrão de conexão será de pelo menos 256 Kbps”, garante.

  

Projeto AltasOndas                                                                              Washington D.C., 2005