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Serviços dão suporte à Internet paga


Fonte: JC - Online
Data: 31/01/2001

Para conquistar os órfãos da Internet gratuita, provedores pagos lançam planos econômicos e melhoram a qualidade do acesso

por MÁRCIO PADRÃO
mpadrao@jc.com.br

A ascensão e queda dos provedores gratuitos significou a entrada de uma nova fase na Internet brasileira. Os provedores pagos tentam recuperar o tempo perdido e estão criando novos serviços, melhorando a infra-estrutura e firmando parcerias, tanto para assegurar a clientela de longa data quanto para reconquistar os ex-usuários dos gratuitos. Dessa forma, esperam não amargar, no futuro, o mesmo fim dos antigos concorrentes.

O diretor da Inter.net, Clovis Lacerda, garante que o dinheiro vindo dos assinantes não é suficiente. “É preciso criar uma série de aplicativos na Rede que transforme o provedor em um ASP (Provedor de Serviços e Aplicações), e cobrar por esses serviços”, diz. Programas de contabilidade online, por exemplo, costumam dar bons resultados. “Assim como em qualquer ramo da indústria, o provedor deve apresentar um vasto portfólio de produtos para não ficar preso a uma única fonte de renda, caso essa venha a fracassar”, complementa.

A variedade de pacotes também é uma arma valiosa. O Universo On Line (UOL) chega a oferecer quatro ofertas de assinatura, cada uma com suas vantagens (ver quadro). O Brasil On Line (BOL), pertencente ao mesmo grupo, criou o AcessoBOL, um pacote com as mesmas características do UOL Econômico, que por sua vez aumentou de preço (de R$ 19,90 para R$ 24,95). Já A Inter.net oferece o Apart.Net, um programa de acesso dedicado de 256 Kbps a condomínios por R$ 40 mensais.

“Atualmente, cada empresa deve trazer alguns diferenciais para se manter na ativa. Os nossos são dois: o preço mais competitivo, pois a maioria dos grandes provedores cobra R$ 25 pelo mesmo pacote, e o acesso mais fácil, permitindo ao novo usuário se cadastrar na Rede e usar a conexão logo em seguida”, descreve o diretor geral do BOL, Victor Ribeiro. Ele também cita o discador BOL, que localiza linhas de conexão desocupadas.

ESTRATÉGIAS – Em meio ao panorama de reviravoltas do ano passado, durante a febre dos gratuitos, os acordos entre grandes empresas da Internet mereceram destaque. O provedor norte-americano PSINet, por exemplo, adotou como estratégia de entrada no Brasil a compra de dez provedores brasileiros em ascensão, incluindo a pernambucana Elogica, no ano passado.

Depois cresceu a ponto de se dividir em duas empresas: enquanto a PSINet continuou com o mercado corporativo, ou B2B (business to business), a Inter.net passou a tratar dos assinantes dos antigos provedores.

As companhias telefônicas também aproveitaram a situação atual para ensaiar alguns passos na Web e descobrir uma nova gama de clientes. O maior exemplo disso foi a união da Telemar com o Internet Group (iG). A Telemar é acionista do iG desde a sua criação e, recentemente firmou contrato para adquirir 100% do acesso à Internet. Ainda por cima, lançou o MultiLink, um dos novos serviços pagos do iG em parceria com a Telefônica, que permite a duplicação da linha telefônica para integrar serviços de voz, dados e imagem.

Segundo Clovis Lacerda, o modelo de provedor pago nunca funcionou no Brasil. “Falava-se em lucrar com os anunciantes, mas ele gastavam o dobro dos lucros para se autopromoverem na mídia tradicional”, aponta Lacerda, acrescentando que em alguns países o acordo com as telefônicas deu uma sobrevida aos gratuitos.

“É de interesse das companhias que as pessoas usem o telefone para conectar. Por isso, fecha-se um acordo para que parte dos lucros sejam entregues ao provedor grátis. No Brasil, isso só vai ser possível quando houver uma concorrência maior entre as telefônicas”, ressalta.

O gerente de provedores da Telemar, Ricardo Leite, discorda. “Acredito que haja um espaço para todos no mercado, mas só sobrevive quem cria mais serviços. Mesmo que o iG não fosse comprado pela Telemar, conseguiria resistir porque o portal continua associando sua marca a diversos serviços e produtos”, justifica.

QUEDA – Cada vez mais o iG se dedica a novas conexões. Mas, desta vez, pagas, deixando de lado os tempos nos quais a regalia grátis dava a tônica na empresa.

O iG3 e o TurboiG são os modelos de banda larga do portal, com velocidade mínima de 128 Kbps, e mensalidade de R$ 19,90 (iG3) e R$ 50 (TurboiG), mais taxas de aluguel de modem e do Speedy, serviço de Internet da Telefônica. Enquanto isso, os usuários restantes do acesso grátis reclamam da parte gratuita. “A rede cai após meia hora de conexão”, protesta o estudante Erick Jeyse.

  

Projeto AltasOndas                                                                              Washington D.C., 2005