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Onde já se compra e vende de tudo


Fonte: JC - Online
Data: 29/09/1999

Vai a um show? Compre os ingressos pela Internet. Precisa de um software educacional? Na Rede vende. Quer consultar o andamento de algum processo jurídico? Idem, idem. Estes serviços estão ao alcance do seu modem graças à iniciativa de empresários pernambucanos. Eles já perceberam que a rede mundial de computadores não apenas precisa estar presente no dia-a-dia de suas companhias, como já responde por um percentual considerável de seus faturamentos.

Caso clássico é o da Mundi Multimídia. Originalmente, a empresa faz softwares - são dois prontos e oito em andamento -, mas cada produto tem um site associado a ele. "A gente quer chegar a vender só pela Web", projeta Jairson Vitorino, diretor presidente da Mundi. A maior vantagem, de acordo com ele, é porque o contato é feito direto com o cliente, sem atravassadores. "O lucro é todo nosso", detalha.

De acordo com Vitorino, o outro ponto positivo é o banco de clientes que se pode formar. "A base de dados do Criando Home Pages, nosso principal produto, é de 500 pessoas. E nossa revista eletrônica, o E-life, tem 5.000 assinantes", contabiliza. Criada em 1997, a empresa tem cerca de 20 funcionários, entre fixos e free lancers, e prevê faturar esse ano R$ 420 mil.

Fazer a migração de empresas para a Internet e habilitá-las ao comércio eletrônico é a essência do trabalho da Globaltech, que centra o foco de sua atuação em Internet e intranets. "É um mercado dinâmico, em crescimento, e que permite que a gente fique no mesmo nível de um país desenvolvido. O que é novidade para eles, é novo para nós também", defende Marcelo Fernandes, diretor de Marketing da empresa. Pernambucana, a empresa está internacionalizando suas atividades. "Nosso mercado-foco é o americano", conta Fernandes, que tem escritório de apoio em Miami e está fechando parcerias na Grécia e em Portugal.

A empresa existe desde 1992 e projeta para esse ano um faturamento de R$ 150 mil. Dois trabalhos da Globaltech podem ser vistos na Rede: o site do Shopping Guararapes e o Sport Zone, uma parceria com o radialista e empresário Luciano do Valle que cobre - com imagens do estádio direto para o site - todos os campeonatos de futebol brasileiros. Um terceiro projeto, mais ambicioso, entra no ar dentro de dois meses. Será o site da Livraria Modelo, com esquema de comércio eletrônico montado.

PIONEIRO - Com apenas 16 anos, Murilo "Gun" Araújo fez história na Rede. Aos 13, construiu sua homepage, sozinho. O cuidado com o site e o fato de ter sido pioneiro - naquela época não era todo mundo que dominava a linguagem HTML, muito menos na idade dele - trouxeram grande audiência para a página. Hoje, são 1.500 acessos por dia. Gun banca sozinho seus gastos com lazer, algo que poucos adolescentes conseguem fazer. Só com os anúncios de sua página pessoal, ele lucra de R$ 150 a R$ 200 por mês. "Dou palestras, consultoria em comércio eletrônico e webmarketing e estou escrevendo uma série de livros para o Sebrae", enumera.

Rodrigo Coutinho, 22, `pai da Gostosa, também faz sucesso: atinge 10 mil acessos diários e fatura em média R$ 900 por mês com os anúncios de sua página. "Cheguei a ganhar R$ 1.800 com uma atividade que é puro lazer para mim", afirma. Ele agora pretende vender CD-ROMs com conteúdo semelhante ao do site.

VISIBILIDADE - Se ouve em qualquer esquina que provedor de acesso não dá lucro. O diretor de Internet da Elógica, Clóvis Lacerda, rebate a teoria. "A atividade é rentável, mas ninguém pode se dar ao luxo de usar esse dinheiro para comprar apartamentos", ensina. "Informática é uma neurose. É preciso reinvestir alto para oferecer preços competitivos e ter visibilidade no mercado", garante.

De acordo com ele, a previsão de faturamento da Elógica para esse ano é de R$ 6 milhões. Mas o custo operacional mensal varia de R$ 150 a 200 mil. Mesmo não podendo usufruir de seu retorno financeiro, o Grupo Elógica não abre mão da Rede, tanto que acaba de desistir de vender o provedor. "A Internet está sendo estratégica para o grupo porque serve como meio de entrada e divulgação dos outros produtos", explica.

  

Projeto AltasOndas                                                                              Washington D.C., 2005