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Pernambuco vive pré-história do e-commerce


Fonte: JC - Online
Data: 23/06/1999

por HUGO PORDEUS
hugo@jc.com.br

Até o final do ano, o comércio eletrônico vai movimentar 170 bilhões de dólares em todo o mundo, de acordo com o instituto de pesquisas Forrester Research. Em 2003, essas cifras devem saltar para três trilhões de dólares. Uma perspectiva de crescimento tão acelerado está acordando até mesmo os empresários mais conservadores e o Brasil começa a levar a sério o e-commerce, já que as compras via Internet no país vão somar, segundo o International Data Corporation (IDC), cerca de US$ 140 milhões em 1999 e US$ 1,9 bilhão até 2003. No ano passado, o total de negócios virtuais movimentou US$ 60 milhões no Brasil. Pernambuco, porém, ainda está na pré-história das vendas online.

Hoje o internauta local interessado em fazer compras pela Internet com a exigência de entrega quase imediata do produto tem poucos sites à disposição. Nem sempre se pode apelar para a Amazon.com ou para a CDNow!. No dia-a-dia, é fácil sentir como as opções de vendas pela Internet no Estado são limitadas. Já é possível montar um computador novo, pedir uma pizza, comprar remédios, encomendar flores ou o material escolar dos filhos através de um site pernambucano, mas a variedade de escolha é mínima.

"Ao mesmo tempo em que a Internet abre mercados, também possibilita uma concorrência entre empresas regionais e estrangeiras", diz a diretora do provedor Cyberland, Aisa Pereira. A falta de iniciativa pode abrir espaço para o vendedor de fora e nem sempre isso é vantajoso para o cliente. Afinal, por que um morador de São Lourenço da Mata compraria um livro no site da Livraria Cultura, de São Paulo, havendo um item idêntico em uma livraria online do Recife? Além de esperar mais para receber o produto, ainda iria ter que desembolsar a taxa do frete.

"A maioria das lojas online daqui não se baseia no padrão mais sofisticado de e-commerce, limitando-se a oferecer formulários de solicitações de produtos ou pedidos via e-mail, sem oferecer a possibilidade de uma transação completa pela Rede", pondera o diretor de Internet do Grupo Elógica, Clóvis Lacerda. O próprio provedor Elógica chegou a montar um shopping virtual em parceria com o Bradesco no ano passado, mas que não que não contou com a adesão do mercado varejista. "O shopping foi desativado para instalação de novas ferramentas de suporte ao lojista", justifica Lacerda.

Segundo Lacerda, a falta de interesse dos empresários em investir na Internet é precedida por problemas mais emergenciais, como automação comercial, modernização de equipamentos e concorrência externa. "Diante de dificuldades concretas, comércio virtual ainda soa como um luxo e algo distante para muitos", argumenta.

Para Flávio Pimentel, diretor comercial da Wiser, empresa pernambucana que oferece soluções para transmissão de dados via Internet, o e-commerce local sofre com a falta de visão tanto das empresas quanto dos desenvolvedores. "Apesar das somas astronômicas, a margem de lucros em vendas online no Brasil ainda é pequena porque a procura por esse tipo de serviço é mínima em relação ao comércio tradicional", afirma.

Segundo Pimentel, isso também desestimula os empresários a comercializar seus produtos pela Web. "Poucos duvidam da potencialidade futura do e-commerce, mas a questão é sobre quando entrar no negócio: se agora e correr os riscos inerentes à condição de pioneiro; ou mais tarde, com possibilidade de um retorno menos demorado". Ele acredita também que o poder de marketing da companhia envolvida em um projeto de comércio virtual pode decidir o sucesso do investimento.

O presidente da Associação Comercial de Pernambuco, Dagoberto Lobo, tem uma posição favorável aos investimentos no e-commerce e acha que a bem-sucedida experiência dos Estados Unidos será seguida no varejo brasileiro. "O lojista também pode tirar proveito da Internet para reduzir seus gastos com pessoal e espaço físico, ao mesmo tempo em que expande sua área de atuação".

Segundo estudo da consultoria Vade Mecum feito há um mês, cerca de 30% dos internautas de Pernambuco já compraram algum bem ou serviço pela Internet, usando cartão de crédito como forma de pagamento. Os produtos mais comprados são livros (47%), CDs (33%) e softwares (24%). Apenas 4% dos 1,6 mil usuários ouvidos pela pesquisa já encomendaram lanches pela Rede e só 1% comprou artigos de mercearia.

  

Projeto AltasOndas                                                                              Washington D.C., 2005