Home Bio Notícias

  •   Email
Abril de 1995. E o Brasil aderia à revolução


Fonte: JC - Online
Data: 28/04/1999

por HERCÍLIA GALINDO
hercilia@jc.com.br

Letras, números, sinais e mais letras, numa tela preta. Nenhuma imagem ou som. Isso era a Internet. Mas, de quanto tempo atrás? Muito menos do que se possa imaginar. Era esta face "escura" que a Rede tinha há apenas e exatos quatro anos. Nesse cenário, os internautas brasileiros constituíam um seleto grupo de pesquisadores e profissionais da área de tecnologia. O usuário comum só teve contato com a Internet comercial alguns meses mais tarde. Abril foi um mês decisivo para a viabilização da conectividade brasileira.

Neste mês, em 1995, o Governo deu um importante passo para a implantação da Internet no País. Foi quando o Ministério das Comunicações e o Ministério da Ciência e Tecnologia decidiram lançar um esforço comum de implantação de uma rede integrada de computadores entre instituições acadêmicas e comerciais. Desde então, vários fornecedores de acesso e serviços privados começaram a operar no Brasil.

Também em abril de 95, a Embratel permitiu o acesso à Internet através de links dedicados via Renpac ou linhas E1. Nesse período, a Rede Nacional de Pesquisa iniciou uma série de ações para que seu backbone suportasse o tráfego comercial de futuras redes conectadas aos POPs , incluindo sua ampliação em velocidade e número de linhas.

Para chegar à implantação do backbone, outras iniciativas foram necessárias. Quatro anos antes, o Ministério da Educação criava a RNP para gerenciar a rede acadêmica brasileira, até então dispersa em iniciativas isoladas. Também em 1990, já eram dados os primeiros passos para a chegada da Internet em Pernambuco, por ocasião da construção do POP-PE, o ponto de presença estadual na Rede Nacional de Pesquisas.

A iniciativa partiu do Ministério de Ciência e Tecnologia e do governo estadual. "Um dos desafios foi cultural: pouca gente sabia do que se tratava ou para que a Internet servia", afirma Lúcia Melo, então secretária de Ciência e Tecnologia do governo Carlos Wilson, hoje coordenadora do Núcleo de Apoio à Coordenação Nacional da RNP. "Também existia pouca gente habilitada. Era preciso formar quadros, e o DI (Departamento de Informática da UFPE) foi fundamental".

A construção e administração do ponto de presença no estado ficou a cargo do Itep (Instituto de Tecnologia do Estado de Pernambuco). A obra foi financiada conjuntamente pela Secretaria de Ciência e Tecnologia, a Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (FACEPE) e o Ministério da Ciência e Tecnologia. O desenvolvimento do ponto de presença RNP permitiu ao Itep desenvolver a Rede Pernambuco de Informática, que hoje conecta pontos comerciais e não-comerciais em todo o estado.

Em 1992 foi instalada a primeira espinha dorsal conectada à Internet nas principais universidades e centros de pesquisa do país, além de algumas organizações não-governamentais, como o Ibase. A exploração comercial brasileira da Internet só foi liberada em 1995.

Em junho do mesmo ano, foi criado o Comitê Gestor da Internet - composto por membros dos Ministérios da Ciência e Tecnologia, das Comunicações e representantes de Instituições comerciais e acadêmicas para acompanhar o crescimento da Rede no país.

PRIMÓRDIOS - Antes mesmo do nascimento da Internet no Brasil, os futuros Internautas pernambucanos encontravam-se em gestação dentro das BBSs. Nestes Bulletin Board Systems, ou sistemas de boletim de mensagens, os primeiros fãs da comunicação computadorizada batiam papo entre si através de seus micros e linhas telefônicas. Mais importante: eles também trocavam mensagens com BBSs de todo o país. "As mensagens chegavam com atraso de um dia. Não é como hoje que você manda e recebe na hora", conta Clóvis Lacerda, diretor de Internet da Elógica e um dos pioneiros das BBSs em Pernambuco.

Já em 1986, BBSs pernambucanas baseadas em micros PC XT, depois 286, conectavam-se diariamente a outras BBSs pelo país através de modems de 300bps - hoje os modems mais comuns são de 56 kbps, uma velocidade 191 vezes maior. As ligações para transferência de mensagens e arquivos eram feitas de madrugada, para economizar nas tarifas interurbanas.

Em 1991, o Ibase, ONG criada pelo sociólogo Betinho, passou a conectar as BBSs brasileiras à Internet americana por telefone. "Antes da Internet entrar no Brasil, a gente já trocava mensagens com internautas no exterior", disse Lacerda.

A popularização do acesso comercial à Internet, que começou a partir de agosto de 1995 em Pernambuco, decretou o fim das BBSs como meio principal de comunicação da comunidade computadorizada no país. "As BBS são de uma época áurea e de boas memórias", relembra.

  

Projeto AltasOndas                                                                              Washington D.C., 2005