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Quando o inimigo vem por e-mail


Fonte: JC - Online
Data: 17/03/1999

por HERCÍLIA GALINDO
hercilia@jc.com.br

Pesquisa realizada pela Microsoft, McAffee e Symantec em 700 mil computadores de 300 empresas dos Estados Unidos constatou que o e-mail é a principal forma de propagação dos vírus. Os dados revelam que 45% das contaminações ocorrem através de arquivos atachados recebidos pelas caixas postais. Cerca de 200 novos intrusos são criados diariamente para atormentar a vida dos internautas desavisados.

O vírus de computador nada mais é do que um programa que se aloja em outros softwares ou arquivos. Assim, quando o programa hospedeiro é executado, o vírus também é, podendo corromper arquivos ou até plantar vírus convencionais no disco rígido. Os cavalos de Tróia (ou Trojan Horse) - que trazem uma espécie de vírus camuflado - são considerados uma das maiores armadilhas pelos usuários de e-mail. Eles são diferentes por não possuir instruções para auto-replicação e por serem programas autônomos, não necessitando infectar outras entidades para ser executados.

O Trojan é um programa que oculta o seu objetivo sob uma camuflagem de programa útil ou inofensivo. Normalmente, eles vêm com nomes de arquivos simpáticos, despertando a curiosidade dos usuários desavisados. É o caso do novo Happy99. Esse vírus liga-se a mensagens de newsgroups e de e-mails como um attachment com o executável Happy99.exe.

Quando o destinatário o executa, ele exibe uma faixa com a inscrição "Happy New Year 1999", em meio a uma festa de efeitos gráficos que imitam fogos de artifício. Mas, por trás da festa, ele altera arquivos no computador ligados ao processamento de e-mail. Assim, toda mensagem enviada levará consigo uma cópia do Happy99. O Bigfoot - serviço de Web mail gratuito - foi transformado, há duas semanas, num centro de distribuição de vírus via Internet. Todas as pessoas que enviaram e-mail ao setor de atendimento ao cliente da empresa receberam, junto com a resposta, uma cópia do vírus Happy99.

A professora universitária Isaltina Melo foi uma das vítimas da nova praga virtual. "Confiando no meu antivírus, executei o Happy99. Como ele não identificou nenhum vírus, achei que não teria problema", diz. Depois de muita pesquisa pela Rede em busca de sites que informassem sobre como se livrar do problema e ajuda de amigos, Isaltina conseguiu se livrar do programa e descobriu que o Viruscan e o Norton, atualizados até fevereiro, não são capazes de detectar o Happy. "Vou ficar mais atenta na hora de executar arquivos", revela.

Os programas antivírus são a mais poderosa e eficiente arma contra a praga digital, detectando a ameaça antes que ela infecte o micro. O problema é que eles não conseguem acompanhar o número de vírus criados todos os dias. "Orientamos nossos clientes a nunca executar arquivos de procedência duvidosa", alerta Aisa Pereira, diretora do provedor de acesso Cyberland. Para ela, os usuários de e-mail estão cada vez mais seletivos, deixando a curiosidade de lado e deletando qualquer mensagem com arquivos estranhos, principalmente os executáveis.

Na Elógica, a maioria das dúvidas dos usuários que procuram pelo suporte sobre os vírus referem-se às mensagens que circulam pela Internet alertando contra virus de e-mail. "Muitas vezes, os alertas são só boatos, mas deixam os usuários assustados", diz Clóvis Lacerda, diretor de Internet do Grupo Elógica.

Lacerda dá a dica: uma saída para quem precisa trocar grandes arquivos com segurança, o melhor a fazer é compactá-los, através do programa WinZip e utilizar uma senha combinada com o destinatário. "Assim, se alguém quiser se passar por pessoa conhecida e em quem confio para me enviar um vírus, terá sua tentativa frustrada, já que a senha não vai corresponder a que combinei anteriormente", ensina.

O diretor de Internet da Elógica explica também que entrar em desespero quando se descobre um vírus no computador só atrapalha. "O ideal é manter a cabeça fria e reiniciar a máquina, deletando o arquivo problemático, que originou todo o problema. Depois, é só acionar um antivírus", esclarece. Mas, se o estrago foi grande e arquivos e programas importantes foram atingidos, o melhor é procurar por alguém que entenda do assunto.

  

Projeto AltasOndas                                                                              Washington D.C., 2005