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Desvalorização do real faz subir o preço de micros e acessórios


Fonte: JC - Online
Data: 20/01/1999

A desvalorização do real frente ao dólar vai pesar no bolso dos informatas. A razão é simples: como a maioria dos produtos e seus componentes vêm do exterior, a alta da moeda norte-americana no Brasil vai aumentar os preços dos equipamentos de uma forma geral. Lojistas pernambucanos calculam um aumento em torno de 15% no preço final de um computador completo - os mais pessimistas estimam até uma elevação de 20%.

"Vai ter inflação", afirma, sem rodeios, o diretor da Infobox Ricardo Figueiras. Ele conta que, na sexta-feira passada (15) - dia em que o Banco Central liberou o câmbio -, alguns fornecedores já estavam oferecendo placa-mãe com preço 25% maior. "Mas claro que ninguém ainda estava comprando com esse preço".

Apesar da elevação dos preços tida como certa, o mercado trabalha ainda em compasso de espera. "Estamos aguardando uma definição dos distribuidores", diz o gerente executivo da Computer 1, Ricardo Durão. Na prática, essa parada pode significar que quem deseja comprar uma máquina ou acessório deve correr às lojas antes que a alta do dólar seja repassada para o preço final.

Com os valores subindo em torno de 15%, isso significa dizer, por exemplo, que, por um Pentium II 300 MMX, hoje custando em torno de R$ 1,9 mil, se pagará R$ 285,00 a mais. A expectativa é de que a inflação alcance mais rapidamente componentes que são totalmente importados, como microprocessadores, placas-mãe e memórias.

"O aumento vem em etapas", crê Durão, não livrando da alta dos preços nem os produtos fabricados no país - até porque alguns dos seus componentes são trazidos do Exterior. Aumento no preço deve gerar um cenário de retração no consumo. Atualmente, estima-se que o mercado de informática movimente em Pernambuco algo entre R$ 5 a 6 milhões mensais. Devido à inflação iminente, já há quem preveja queda de quase 10% nas vendas.

INTERNET - A inflação não deixa de fora os provedores de acesso à Internet. Utilizando máquinas importadas, as empresas vão sentir sobressalto no momento dos pagamentos e, principalmente, devem retrair os investimentos, feitos em dólar. Mas, para os internautas temerosos, um alento: as empresas ouvidas pelo Jornal do Commercio garantem que não pretendem elevar a mensalidade.

"Pela primeira vez, o mercado de Internet no país, que até agora só apresentou queda nos preços, vai sentir a inflação. Mas, como o cenário é muito competitivo, o aumento do preço não será uma boa saída para um provedor", analisa o diretor comercial da Hotlink, Edson Perdigão. "Será uma equação complexa", prevê, se referindo à manutenção dos investimentos diante de quantias altas - só um servidor de comunicação de 60 linhas, por exemplo, custa quase US$ 30 mil.

Um freio nos investimentos já é observado. Na Cyberland, a aquisição de um TotalControl, servidor com modem 56K e módulo para a Rede Digital de Serviços Integrados (RDSI), ficou para adiante. "Como custa 27 mil dólares, vamos fazer um planejamento mais distante", afirma a diretora-executiva, Aisa Pereira.

A Elógica, por sua vez, está traçando um plano de controle interno para poder pagar o leasing do mainframe IBM S390 - orçado em US$ 1,5 milhão - sem precisar repassar a inflação para as mensalidades. "Vamos fazer um rigoroso controle doméstico", diz o diretor de Internet do provedor, Clóvis Lacerda.

  

Projeto AltasOndas                                                                              Washington D.C., 2005