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Código de barras, um caminho sem volta


Fonte: JC - Online
Data: 22/10/1997

por BENIRA MAIA

A dona de casa checa o preço da caixa de sabão na máquina eletrônica de consulta disposta no supermercado. O garoto passa a barra de chocolate em frente à máquina. A cena, já rotineira, se torna o flagrante mais preciso de que a automação comercial brasileira é uma realidade e de que a intimidade do consumidor com o código de barras é um caminho sem volta. Para quem ainda tem dúvidas, os números estão aí para comprovar. Levantamento da EAN Brasil, entidade responsável pela promoção e implantação do código de barras no país, mostra que cresceu 1.082 vezes o número de lojas com leitura óptica de 89 para o ano passado. E, se oito anos atrás existiam apenas 3.200 produtos codificados, em 96 já eram 250 mil.

O processo da codificação é mesmo evolutivo. Estimativas prevêem que, este ano, o número de produtos codificados vai saltar dos 250 mil para 330 mil. E vai duplicar a quantidade de lojas com leitura óptica - de 2.165 para 4 mil. No ano 2.000, serão 320 mil estabelecimentos comerciais automatizados, segundo previsão da EAN Brasil.

O principal ramo que investe na informatização é o dos supermercados, representando 37% do universo de lojas automatizadas. A rede Bompreço, por exemplo, está com 80 das suas 92 lojas informatizadas, num processo crescente que começou há exatamente 10 anos.

O segundo ramo no país que persegue a automação é as lojas de departamento, com 20%. Mas a modernização parece estar ao alcance de todos os setores comerciais - as lojas de confecção detêm a terceira maior fatia, seguidas de uma parcela que mistura lojas de conveniência, armarinhos, bancas de jornais, bazares, óticas, mercearias e lojas de carne, discos e doces e, até mesmo, hospitais.

"O processo de automação é uma realidade concreta, em escala crescente. E agora queremos mais; o varejo e o atacado pretendem automatizar seus centros de distribuição. É uma verdadeira mudança cultural de perfil e de equipamentos", afirma o presidente da EAN Brasil, Roberto Demeterco.

A sedução exercida pela automação no mercado é fundamentada. Para o consumidor, o código de barras é sinônimo de confiança, agilidade e melhor qualidade de serviços. Estudo da EAN Brasil comprova uma redução de quase 40% no tempo gasto pelo consumidor com a feira no supermercado quando o estabelecimento entrou na era moderna - ou seja, se antes passava 1 hora para fazer as compras, agora gasta em torno de 40 minutos.

Para o comerciante, a automação significa economia e total controle do negócio. "Com a automação, temos a noção exata da loja - o que tem e o que falta", diagnostica o supervisor no Recife da rede de livrarias Sodiler, Epitácio Cesário de Medeiros.

O total controle do estabelecimento permite definir ainda estratégias de marketing. "É possível tomar decisões urgentes para promoções, por exemplo, de produtos com pouca saída", aponta o gerente-técnico da EAN Brasil, Marcelo Azevedo. "Chega uma hora em que a ampliação da loja é tanta que o empresário ou automatiza e enfrenta a concorrência ou ele pára", afirma o analista de sistema Clóvis Lacerda, diretor do Grupo Elógica, um dos que implantam automação em Pernambuco.

  

Projeto AltasOndas                                                                              Washington D.C., 2005