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Você sabe gerenciar? Pois trate de aprender - Jornal do Commercio - Informática (13/3/2002)
13/Mar/2002
 

Talento, conhecimento e oportunidade não são mais os únicos fatores a contar na disputa pelas melhores posições no mercado de trabalho. É preciso ter tino para o negócio. Saber gerenciar. A nova característica é requisito fundamental para os profissionais que pretendem alcançar os altos postos de uma empresa da área de Tecnologia da Informação. Todos os executivos ouvidos pela reportagem do Jornal do Commercio apontam isso. Veja o que você precisa fazer para se destacar e confira um roteiro completo dos principais cargos do setor, o que é preciso saber para se candidatar a eles e quanto pode chegar a ganhar.

por MONA LISA DOURADO
mldourado@jc.com.br

Não basta entender de Informática, é preciso saber gerenciar. Esse é o requisito primordial que o mercado local de Tecnologia da Informação (TI) está exigindo atualmente dos seus profissionais. Proporcional à necessidade das empresas por esse perfil de funcionário é a carência por mão-de-obra qualificada e, conseqüentemente, alto o valor da remuneração para quem corresponde às expectativas. Os salários chegam a R$ 15 mil.

“Queremos pessoas que representem a junção entre o profissional técnico e aquele com experiência administrativa. Seu papel é identificar nos clientes as dificuldades e pensar nas formas como a tecnologia pode melhorar a gestão do seu negócio”, aponta a gerente administrativo-financeira da Informata, empresa especializada em distribuição de software, Daniela Lins Pires. Mas não é só isso.

Para entrar no círculo dos mais bem empregados, é necessário se preparar igualmente bem, seja com certificações, cursos de reciclagem ou pós-graduações fora do País. “Um MBA nessa área é fundamental. Algum tempo atrás, o profissional que não tivesse conhecimentos de Informática e não falasse inglês era considerado analfabeto. Adicione agora a falta de um MBA em Marketing”, diz o presidente do provedor Inter.net, Clovis Lacerda.

Até achar o ‘caminho dos bits’ para o sucesso na carreira em TI, no entanto, é bom incluir na escalada um curso superior, que já se tornou exigência básica na disputa por uma vaga na maioria dos postos do setor. “O mercado sabe a qualidade do capital humano que está sendo formado na universidade”, avalia a diretora do Centro de Informática (CIn) da UFPE, Ana Carolina Magalhães.

De acordo com a professora, o diferencial dos profissionais formados em Ciência da Computação e Engenharia da Computação é a capacidade de não só dominar uma determinada técnica ou linguagem, como conceber sistemas, desenvolver novos métodos e, sobretudo, se adaptar rapidamente às mudanças do mercado. “Estamos preocupados com o perfil do aluno e não com a função que ele vai exercer, até porque, com a formação ampla que oferecemos, ele vai estar pronto para atuar em todas as áreas de TI, estando preparado também para ser um empreendedor.”

Segundo a coordenadora da graduação em Ciência da Computação da UFPE, Edna Barros, essa visão geral da tecnologia é proporcionada pela estrutura dos cursos, cuja maior parte é destinada a conceitos básicos de todos os segmentos. Somente nos últimos semestres é que o aluno opta por 15 entre 123 disciplinas eletivas para se especializar em alguma área de seu maior interesse. “Procuramos formar os profissionais tanto nas áreas clássicas, como banco de dados e rede, como naquelas em que há demanda no mercado, a exemplo de inteligência artificial direcionada a jogos, sistemas embutidos e engenharia de software”, explica.

Sentiu falta de uma maior especialização? Não tem problema, porque, segundo o gerente de Tecnologia do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), Antônio Valença, ao mesmo tempo em que exigem muito dos profissionais, cada vez mais as corporações procuram dar condições para que eles se enquadrem em seus requisitos. “Quando a pessoa tem um perfil de liderança do nosso interesse, mas falta experiência na área técnica, muitas vezes preferimos formá-la, promovendo treinamentos, a perdê-la”, confirma a gerente de Banco de Dados da Informata, Patrícia Wanderley.

Tão importante quanto o conhecimento para galgar degraus no setor de Tecnologia da Informação é a personalidade e a atitude do profissional diante de determinadas situações. “Quem não souber ousar, arriscar e estar um passo à frente, perde terreno. As empresas estão procurando pessoas que fazem antes de receber a ordem”, ensina Clovis Lacerda, da Inter.net.

Outro item bastante citado pelos recrutadores do mercado hi-tech é a capacidade de o profissional estar bem relacionado com pessoas e instituições de sua área de atuação, de fazer o chamado networking.

Enfim, dinâmico como é esse mercado, uma característica que não pode faltar a quem deseja se manter nele por muito tempo é o autodidatismo constante. Afinal, o que é top de linha hoje, amanhã já poderá estar ultrapassado. E não é você quem vai ficar para trás, não é?

 


 
 

  

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